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ALMT instala CST para discutir o tráfico de pessoas em Mato Grosso
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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) instalou na manhã desta segunda-feira (18), a Câmara Setorial Temática (CST) para discutir o tráfico de pessoas em Mato Grosso e suas diversas modalidades criminosas. Das vítimas, 78% são mulheres e crianças em vulnerabilidade social. O objetivo da CST é integrar agentes públicos representantes dos Poderes Executivo, Legislativo, Judiciário, sociedade civil e Ongs, para buscar formas de diagnósticos que poderão subsidiar políticas públicas no enfrentamento á pratica criminosa.
A CST foi requerida pelo deputado Sebastião Rezende (União), que ao saber dos números de pessoas desaparecidas no estado determinou a criação da câmara para a discussão de ações no combate e prevenção do tráfego de pessoas.
“Enquanto deputado estadual, me aflige muito ver que pessoas são traficadas e desaparecem, deixando famílias devastadas. Esse tipo de crime é o terceiro mais rentável, perde apenas para o tráfico de armas e de drogas. Precisamos fazer um enfrentamento muito forte junto com as forças de segurança, não só estaduais, mas também com a Força Nacional”, contou o parlamentar.
“A câmara temática tem essa função, de chamar esses agentes para participar e juntos buscar mecanismos que possam minimizar esse problema que nós estamos enfrentando. A Assembleia Legislativa quer fortalecer junto à Secretaria de Segurança Pública a disponibilidade no orçamento anual, recursos para o combate ao tráfico de pessoas em Mato Grosso”, finalizou.
De acordo com dados apresentados durante a CST, no Brasil, entre 2012 a 2019, foram registradas 5.125 denúncias de tráfico humano no Disque Direitos Humanos (Disque 100) e 776 denúncias na Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), ambos canais de atendimento do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).
Entre os anos de 2010 e 2022 foram contabilizadas 1.901 notificações no Sistema de Informação de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde (SINAN). Além disso, 60.251 trabalhadores foram encontrados em condições análogas à escravidão entre 1995 e 2022, segundo dados do Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas.
Átila dos Passos Calonga, coordenador da Comissão de Articulação, Prevenção e Mobilização do Comitê Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (CETRAP-MT), presidirá a CST. Segundo ele, fomentar políticas públicas são necessárias para prevenções e repressão ao tráfico humano.
“Precisamos nos munir de informações para propor políticas públicas, por meio de troca de informações e ações. Mato Grosso é um estado fronteirista, temos 700 km de fronteira seca, e acaba facilitando a instalação da rede criminosa. O tráfico de pessoas é um crime que está associado ao tráfico de arma e de drogas, é silencioso e difícil de ser combatido”, explicou.
Ainda de acordo com Átila, “a vulnerabilidade social é o fator principal do tráfico de pessoas associado à falta do conhecimento. Os traficantes se prevalecem do sonho das pessoas, os aliciam, principalmente de pessoas que estão na camada social na linha da pobreza e as assediam tanto para o tráfico de exploração sexual de criança e mulheres, quanto para tráfico de órgãos, além é claro do trabalho análogo à escravidão”, concluiu o presidente da CST.
A representante e coordenadora criminal do Ministério Público Federal (MPF), procuradora Valéria Siqueira, disse que o combate ao crime de tráfico de pessoas precisa da atuação de todos os poderes. “O tráfico de pessoas é praticado para diversas finalidades, modalidades e característica que acabam dificultando a persecução penal. Além disso, é uma forma de crime que envolve e que se alimenta, eu diria, da grande desigualdade social. Não é incomum que as vítimas muitas vezes nem percebam que estão em um trabalho escravo. Eu acredito que discussões como essas, envolvendo várias instituições, a Polícia Rodoviária, o Conselho Regional de Medicina (CRM), os Ministérios Público Federal e Estadual, tragam informações para que possamos em uma perspectiva bem maior, que é ajudar no combate a essa criminalidade”, disse Valéria.
Álvaro de Souza, representante da Comissão dos Direitos Humanos da PRF, falou da dificuldade de combater o tráfico de pessoas. “A Polícia Rodoviária Federal, assim como as demais instituições da segurança pública precisam trabalhar de forma articulada e coordenada com os demais órgãos, de maneira a trazer um pouco de luz para essa situação. Tratando de ser crime que está relacionado com outras práticas criminosas, como tráfico de pessoas, exploração sexual, também de crianças e adolescentes a gente tem uma característica, que é a capilaridade. Estamos presentes em todos os cantos do território nacional, atuando nas rodovias. Então, para nós, essa oportunidade aqui na instalação da CST é muito valiosa. Então, é uma oportunidade para que a gente consiga melhorar ainda mais a nossa situação”, contou Álvaro.
Fonte: ALMT – MT
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Abílio Brunini endurece fiscalização após Operação Gorjeta e mantém corridas de rua

Foto: divulgação
Em resposta aos desdobramentos da Operação Gorjeta, que investiga o desvio de mais de R$ 5 milhões em emendas parlamentares, o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, anunciou uma mudança drástica na gestão de recursos públicos. Apesar do escândalo que afastou o presidente da Câmara, Chico 2000, e colocou outros sete vereadores sob suspeita, o Executivo municipal confirmou que o calendário de corridas de rua da capital será preservado.
O Novo Modelo de Controle: “Tolerância Zero”
Para garantir a continuidade dos eventos sem o risco de novas fraudes, a prefeitura implementará um sistema inédito de vigilância. A estratégia central é a criação de um setor de inteligência compartilhado dentro da estrutura administrativa da capital.
As principais medidas incluem:
* Parceria com a Polícia Civil: Agentes atuarão diretamente no monitoramento da execução de emendas e contratos.
* Termo de Ajustamento: Um novo regramento operacional para fiscalizar a destinação e o pagamento de recursos.
* Fiscalização Preventiva: O controle será contínuo e técnico, visando barrar irregularidades antes que os pagamentos sejam efetuados.
Preservação do Esporte e da Saúde
Brunini enfatizou a necessidade de separar a má conduta de agentes públicos do valor social dos eventos esportivos. Para o prefeito, suspender as corridas seria punir a população por crimes cometidos por políticos.
“As corridas são instrumentos de saúde e inclusão. O foco não é o cancelamento, mas o fortalecimento dos mecanismos de controle para que cada real chegue ao seu destino final”, pontuou o gestor.
Eventos tradicionais como a Corrida do Legislativo e a Corrida do Bom Jesus estão confirmados, mas agora operam sob o novo padrão de transparência e o olhar atento da Polícia Civil de Mato Grosso.
Impacto Político e Transparência
A iniciativa de trazer a polícia para dentro da Prefeitura busca dar uma resposta rápida à crise institucional e à forte cobrança da sociedade por accountability. Ao assumir o protagonismo da fiscalização, Abílio Brunini tenta transformar um cenário de corrupção em um marco de boa governança, estabelecendo Cuiabá como um modelo de cooperação interinstitucional no combate ao desvio de verbas parlamentares.

