AGRONEGÓCIO
CTNBio aprova soja da Embrapa com genoma editado para reduzir fatores antinutricionais
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A Comissão Técnica Nacional de Biotecnologia (CTNBio) considerou em reunião extraordinária, no dia 1º de setembro, que a edição no genoma da soja, conduzida pela Embrapa com a técnica CRISPR, para desativar alguns fatores anti-nutricionais, resulta em uma soja convencional, portanto, não transgênica. O parecer dado pela CTNBio foi pautado na Resolução Normativa n.16 e considerou que a planta editada, não possui a presença do DNA de outra espécie, o que torna o produto não transgênico. “Essa aprovação da CTNBio é uma grande conquista, porque ao considerar essa soja como não transgênica, não há necessidade de conduzirmos o processo complexo de desregulamentação comercial de um produto transgênico. Assim, a liberação comercial é mais rápida, reduzindo custos e facilitando a entrada de produtos no mercado com a biossegurança assegurada”, comemora o chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno.
Nos laboratórios da Embrapa Soja, os pesquisadores usaram a técnica de precisão de edição gênica CRISPR (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats, ou seja, Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas) para desativar o fator anti-nutricional lectina no DNA de uma cultivar de soja altamente produtiva. “Com essa alteração pontual e precisa no DNA da soja, conseguimos imitar alguns processos existentes na própria natureza, mas que poderiam levar muito tempo para serem obtidos por outras técnicas como por exemplo o melhoramento clássico”, explica Nepomuceno.
Alguns fatores antinutricionais da soja, que é usada como componente proteico de rações animais e mesmo na alimentação humana, dificultam a digestibilidade e a absorção de nutrientes, principalmente, em animais monogástricos, que apresentam estômago com capacidade reduzida de armazenamento, como porcos e frangos. “Em função disso, a utilização da soja é dependente de processamento térmico que inativa estes fatores anti-nutricionais, mas que aumenta o custo de produção”, explica uma das coordenadoras da pesquisa, a pesquisadora Liliane Henning, da Embrapa Soja. “Nossa expectativa com essas plantas desenvolvidas é garantir a qualidade nutricional da soja, mas viabilizar potencialmente a redução de custos no uso da soja para alimentação animal”, ressalta Liliane.
A partir de agora, a Embrapa tem a possibilidade de introduzir essa característica genética desejada, nas suas outras cultivares adaptadas as diferentes regiões produtoras. Entretanto, a modificação feita no DNA da soja, foi já realizada em uma variedade altamente produtiva. “Se tivesse usado o melhoramento clássico, teria levado de 10 a 12 anos para termos a mesma característica introduzida numa variedade produtiva. Com a técnica CRISPRs, isto foi feito em 6 meses, e após confirmação do fenótipo (presença da característica desejada), a variedade editada está pronta para registro e comercialização”, destaca a pesquisadora.
Legislação e biotecnologia – De acordo com Nepomuceno, o parecer da CTNBio para a nova soja é relevante, porque amplia a possibilidade de que instituições de pesquisa pública ou mesmo empresas de pequeno e médio porte desenvolvam soluções com base na biotecnologia que possam realmente virar inovações no mercado. Segundo ele, o Brasil vem seguindo o mesmo entendimento que países como Estados Unidos, Canadá, Argentina, Japão, Austrália, Chile, Colômbia, têm adotado, ou seja, uma legislação mais assertiva no que diz respeito ao uso da biotecnologia na agricultura, especialmente no uso de técnicas de edição gênica como a técnica CRISPRs.
Nepomuceno reforça que a edição gênica, muitas vezes, imita processos naturais ou processos já consagrados como o do melhoramento genético clássico. O que corrobora com o entendimento das agências reguladoras, em nível mundial, para considerar os organismos com genoma editado como organismos convencionais. “Esta percepção está permitindo uma democratização do uso da biotecnologia na agricultura, possibilitando a presença de mais empresas participando e trazendo soluções e agregação de valor ao agronegócio”, explica.
Novas pesquisas – A equipe da Embrapa Soja destaca ainda que a edição do genoma da soja, por meio da tecnologia CRISPRs, tem sido utilizada na instituição, para gerar plantas com a desativação de outros fatores anti-nutricionais (inibidores de tripsina, por exemplo), melhoria da qualidade de óleo e também na ativação de genes nativos da soja envolvidos no aumento da tolerância à seca.
Fonte: Embrapa
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Mercado de defensivos ganha nova opção para o controle da mancha-alvo e da ferrugem

Uma mistura exclusiva, idealizada para ser o melhor produto para primeira aplicação na soja. Assim é o Scudeiro Nortox, que está chegando ao mercado. A Nortox é a maior fabricante nacional de agroquímicos. “Fizemos todas as combinações possíveis entre todos os grupos de fungicidas e chegamos à conclusão de que a mistura de dois triazois foi a melhor opção para o controle da mancha-alvo e da ferrugem sem correr grandes riscos de resistência”, afirma o diretor comercial João Marcos Ferrari. “A Nortox não vende ativos. Ela vende a solução para o agricultor. Dentro desse princípio, nós testamos todas as possíveis combinações para chegar ao melhor produto para a primeira aplicação da soja”, acrescenta Ferrari.
Celio Hiroyuki Fudo, gerente de Desenvolvimento de Produtos, também se mostra empolgado com os resultados. “A combinação dos dois melhores princípios ativos – Protioconazol e Tebuconazol – garantiu controle da ferrugem asiática e mostrou excelente performance no controle de outras doenças da soja. Os vários estudos realizados pelos principais fitopatologistas, assim como os estudos realizados pela nossa equipe, atestaram a eficácia e seletividade do Scudeiro”, destacou ele.
Thiago Polles, Líder de Desenvolvimento de Mercado, destaca que o Scudeiro (Protioconazol + Tebuconazol) é um fungicida sistêmico de amplo espectro de controle, com registro também para as culturas do algodão, milho, trigo, cevada e sorgo, entre outras, dispensando o uso de óleo adjuvante. Algumas das principais doenças de culturas como a soja, algodão, milho e trigo acabam sobrevivendo de um ano para o outro na própria palhada da cultura “hospedeira. Assim, há a necessidade de manejarmos de forma integrada no controle dessas doenças, como a mancha-alvo e ferrugem-asiática, que ganham destaque na cultura da soja devido à severidade proporcionada”, explica Thiago Polles. Ele observa que o Scudeiro tem uma formulação diferenciada. “Desenvolvido em 27 instituições de pesquisa do Brasil e nos Ensaios Cooperativos, o Scudeiro comprovou a eficiência no controle de doenças como mancha-alvo e ferrugem-asiática, assegurando a produtividade e seletivo a cultura da soja”, prossegue Polles.
Maicom Tumiate, gerente de Registro e Desenvolvimento, ressalta que o produto foi priorizado pelo Ministério da Agricultura por ser uma composição (formulação) exclusiva e inédita e também por ter síntese do produto técnico e formulação no Brasil. Por sua vez, Lucas Morais, coordenador de Marketing – Comunicação, afirmou que o lançamento do Scudeiro dá sequência ao novo posicionamento na comunicação da empresa com o mercado. A Nortox, que completa 70 anos em abril de 2024, tinha seus produtos nomeados pelo ativo de maior destaque, juntando-se as iniciais das misturas. “Por ser uma mistura exclusiva e com nome comercial, o Scudeiro Nortox também demanda uma nova estratégia própria de marketing. Isso vale tanto para ele quanto para outras novidades que estão a caminho”, ressalta Lucas Morais.

