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Paisagens rurais bem manejadas garantem segurança alimentar, hídica e energética, aponta estudo
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O projeto Nexus Alimento-Água-Energia (nexus A-A-E), liderado pela Embrapa Solos (RJ), com apoio do CNPq e em parceria com UFRRJ, USP São Carlos, Epamig e TNC, avaliou o impacto de práticas rurais na segurança alimentar, hídrica e energética do município de Rio Claro (RJ), localizado no entorno do reservatório de Ribeirão das Lajes, importante fonte de água e energia para a região metropolitana da cidade do Rio de Janeiro. Nesse projeto, os pesquisadores comprovaram, por meio de indicadores, que paisagens rurais bem manejadas, a partir da adoção de práticas rurais conservacionistas, podem garantir segurança à sociedade nesses três pilares.
Assista ao vídeo sobre o projeto Nexus A-A-E
Considerando as previsões sobre o crescimento populacional e o aumento da demanda por alimentos, água e energia, torna-se cada vez mais relevante estudar o papel multifuncional da agricultura, proporcionado pelas práticas conservacionistas de manejo da paisagem rural. A abordagem nexus A-A-E propõe uma integração sistemática para lidar com questões relacionadas à segurança alimentar, hídrica e energética em vários níveis, gerando diversos cenários.
“O desenvolvimento de estudos integrados que considerem as seguranças A-A-E é fundamental nesse cenário de aumento de demanda, especialmente considerando a possibilidade de transformar a paisagem rural por meio da adoção de práticas conservacionistas capazes de restaurar a qualidade das terras, aumentar a produtividade, diminuir os processos erosivos e otimizar o uso da água e a geração de energia”, salienta a pesquisadora da Embrapa Solos Ana Paula Turetta, líder do projeto.
Os pesquisadores explicam que reunir um conjunto de dados e desenvolver uma ferramenta de baixo custo que pudesse gerar informações para subsidiar tomadores de decisão envolvidos em ações relacionadas ao uso sustentável da terra foi o grande desafio que a equipe do projeto, finalizado em maio de 2022, propôs-se a enfrentar.
Turetta conta que o projeto organizou e sistematizou informações e desenvolveu uma metodologia que pode ser utilizada pelos tomadores de decisão para avaliação do nexus A-A-E em outras áreas do bioma Mata Atlântica, com base em dados secundários disponibilizados gratuitamente por diversas instituições. “Portanto, é uma metodologia acessível e de baixo custo, validada de forma participativa durante o projeto, que pode ser aplicada por prefeituras, comitês de bacias, consórcios e empresas.”
A pesquisadora pondera que a aplicação e o uso da avaliação nexus A-A-E estão sujeitas às especificidades de cada área, à qualificação técnica e à disponibilidade de dados em escala espacial e temporal adequadas. “É importante que os atores identifiquem possíveis especialistas, definam os treinamentos necessários e considerem as fontes de dados confiáveis para utilizar a metodologia. Outro fator importante para implementar essa abordagem como um instrumento de gestão e desenvolvimento territorial é levar em consideração os instrumentos políticos existentes nas escalas nacional, regional e local, capazes de encorajar e assegurar mudanças de forma integrada e com impactos positivos nas seguranças alimentar, hídrica e energética”, reforça.
No âmbito do projeto também foi elaborada uma plataforma de benchmarking para comparação de indicadores ambientais e práticas conservacionistas nas propriedades rurais da bacia do Ribeirão das Lages. Denominada PLACOPAS, a plataforma foi desenvolvida pelo Núcleo de Pesquisa e Extensão em Sustentabilidade e Saneamento (NUPS), da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Embrapa Solos, e tem como objetivo disponibilizar indicadores relacionados ao nexus no nível de propriedade e estimular a troca de experiências a partir da vivência das práticas realizadas na bacia hidrográfica.
Avaliação participativa de impacto
A metodologia escolhida como ponto de partida da avaliação nexus A-A-E no projeto foi a abordagem de avaliação participativa de impacto (FoPIA), já validada em diferentes casos de estudos publicados na literatura e desenvolvida para permitir avaliação do impacto de políticas relacionadas ao uso da terra sobre os pilares da sustentabilidade – econômico, social e ambiental. Essa metodologia, segundo os pesquisadores, pode ser utilizada em diferentes escalas e prevê a realização de oficinas participativas com especialistas e partes interessadas, resultando na apresentação de cenários realísticos do uso da terra.
Ana Paula Turetta explica que, devido à complexidade dos conceitos de segurança alimentar, hídrica e energética, o foco do projeto foi a avaliação das dimensões de disponibilidade e a estabilidade de cada uma das seguranças – entenda melhor na tabela abaixo.
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Segurança |
Disponibilidade |
Estabilidade |
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Alimentar |
Capacidade de cada prática agrícola em produzir alimentos |
Capacidade de cada prática agrícola assegurar as funções do solo e a qualidade da produção |
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Hídrica |
Capacidade de cada prática agrícola em impactar a geração de água na bacia hidrográfica |
Capacidade de cada prática agrícola controlar, ao longo do tempo, a geração da água e contribuir para a sua qualidade |
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Energética |
Capacidade de cada prática agrícola impactar nos níveis de referências do reservatório |
Capacidade de cada prática agrícola contribuir na redução da erosão na bacia e sedimentação do reservatório |
Resultados de destaque
As quatro práticas conservacionistas avaliadas pelo projeto foram agrofloresta, rotação de pastagens, recuperação de Área de Preservação Permanente (APP) e preservação de nascentes – veja detalhes no quadro abaixo.
Rotação de pastagem e agrofloresta foram as práticas que mais impactaram positivamente a segurança alimentar. Ao considerar a segurança hídrica, a agrofloresta também apresenta impacto positivo, assim como preservação de nascentes. Já em relação à segurança energética, observa-se o maior impacto positivo das quatro práticas relacionadas ao indicador de transporte de sedimentos, demonstrando o potencial de redução de erosão das práticas consideradas no estudo.
Práticas conservacionistas estudadas no projeto
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Conceitos
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Saiba mais
Para saber mais sobre a metodologia do nexus A-A-E, entre em contato com o Serviço de Atendimento ao Cidadão da Embrapa: www.embrapa.br/fale-conosco
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Mercado de defensivos ganha nova opção para o controle da mancha-alvo e da ferrugem

Uma mistura exclusiva, idealizada para ser o melhor produto para primeira aplicação na soja. Assim é o Scudeiro Nortox, que está chegando ao mercado. A Nortox é a maior fabricante nacional de agroquímicos. “Fizemos todas as combinações possíveis entre todos os grupos de fungicidas e chegamos à conclusão de que a mistura de dois triazois foi a melhor opção para o controle da mancha-alvo e da ferrugem sem correr grandes riscos de resistência”, afirma o diretor comercial João Marcos Ferrari. “A Nortox não vende ativos. Ela vende a solução para o agricultor. Dentro desse princípio, nós testamos todas as possíveis combinações para chegar ao melhor produto para a primeira aplicação da soja”, acrescenta Ferrari.
Celio Hiroyuki Fudo, gerente de Desenvolvimento de Produtos, também se mostra empolgado com os resultados. “A combinação dos dois melhores princípios ativos – Protioconazol e Tebuconazol – garantiu controle da ferrugem asiática e mostrou excelente performance no controle de outras doenças da soja. Os vários estudos realizados pelos principais fitopatologistas, assim como os estudos realizados pela nossa equipe, atestaram a eficácia e seletividade do Scudeiro”, destacou ele.
Thiago Polles, Líder de Desenvolvimento de Mercado, destaca que o Scudeiro (Protioconazol + Tebuconazol) é um fungicida sistêmico de amplo espectro de controle, com registro também para as culturas do algodão, milho, trigo, cevada e sorgo, entre outras, dispensando o uso de óleo adjuvante. Algumas das principais doenças de culturas como a soja, algodão, milho e trigo acabam sobrevivendo de um ano para o outro na própria palhada da cultura “hospedeira. Assim, há a necessidade de manejarmos de forma integrada no controle dessas doenças, como a mancha-alvo e ferrugem-asiática, que ganham destaque na cultura da soja devido à severidade proporcionada”, explica Thiago Polles. Ele observa que o Scudeiro tem uma formulação diferenciada. “Desenvolvido em 27 instituições de pesquisa do Brasil e nos Ensaios Cooperativos, o Scudeiro comprovou a eficiência no controle de doenças como mancha-alvo e ferrugem-asiática, assegurando a produtividade e seletivo a cultura da soja”, prossegue Polles.
Maicom Tumiate, gerente de Registro e Desenvolvimento, ressalta que o produto foi priorizado pelo Ministério da Agricultura por ser uma composição (formulação) exclusiva e inédita e também por ter síntese do produto técnico e formulação no Brasil. Por sua vez, Lucas Morais, coordenador de Marketing – Comunicação, afirmou que o lançamento do Scudeiro dá sequência ao novo posicionamento na comunicação da empresa com o mercado. A Nortox, que completa 70 anos em abril de 2024, tinha seus produtos nomeados pelo ativo de maior destaque, juntando-se as iniciais das misturas. “Por ser uma mistura exclusiva e com nome comercial, o Scudeiro Nortox também demanda uma nova estratégia própria de marketing. Isso vale tanto para ele quanto para outras novidades que estão a caminho”, ressalta Lucas Morais.

