AGRONEGÓCIO
História das Barraginhas é contada em causos por agricultores familiares
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Em homenagem ao mês das águas, março, o blog do Projeto Barraginhas publicou duas edições especiais com causos interessantes proporcionados pelos “personagens-celebridades” que adotaram a tecnologia no Brasil.
| O Sistema Barraginhas consiste em dotar as propriedades rurais com várias minibacias (miniaçudes) para colher as águas das chuvas. |
O engenheiro agrônomo Luciano Cordoval, analista da Embrapa Milho e Sorgo, coordenador do Projeto, conta que pensaram em comemorar o Dia da Água editando duas edições do blog Barraginhas para divulgação nas mídias sociais. A primeira abordou os causos ocorridos entre 1993 e 2008. A segunda contou os causos entre 2009 e 2022.
“Esses dois álbuns têm causos ora mais longos, ora mais curtos, alguns inéditos. A primeira edição saiu no domingo dia 6 de março, a segunda, no dia 22. Contamos a história da caminhada das Barraginhas, principalmente da conquista da confiança das pessoas sertanejas, que sofreram, de alguma forma, por anos e anos, com os efeitos da seca, com a escassez de água, com a falta de alimentos e com o fantasma do êxodo rural”, diz Cordoval.
Segundo ele, as histórias foram contadas em forma de causos reais, espontâneos, vividos pelos personagens e por algumas celebridades das Barraginhas. “Estes agricultores se encantaram com essa forma de colher água das chuvas via barramento das enxurradas. Apesar de no início a maioria dos agricultores duvidarem da tecnologia, por não a conhecer, com a persistência gradativa da caminhada, ao verem os efeitos surgirem após chuvadas, eles acabaram se convertendo e se rendendo às Barraginhas e se soltaram. Falando de coração, foram conquistados!”, lembra Cordoval.
“Eles foram conquistados ao verem a elevação do lençol freático, o umedecimento das baixadas, o aparecimento de minadouros e das nascentes. Tudo isso foi demonstrado nas palestras, realizadas em reuniões mobilizadoras e conscientizadoras, quando explicamos que o objetivo era criar sustentabilidade hídrica e segurança alimentar. É isso que temos visto por onde passamos nesses últimos 29 anos”.
Cordoval ressalta que o projeto foi iniciado na região do cerrado de Sete Lagoas e se expandiu para o cerrado mineiro até o semiárido do Norte de Minas. “No Vale do Jequitinhonha ele se consolidou e avançou para o Nordeste brasileiro. E depois para todo País. Então esses causos estão todos nesta rica caminhada”.
Os causos foram surgindo à medida que as famílias foram mobilizadas e envolvidas para entender a proposta e os benefícios da construção das Barraginhas e de como adotá-las nas diversas regiões. “Essas famílias se tornaram os atores principais do projeto. Eles se sentiram empoderados ao ponto de se encantarem. Esses causos não surgiram da noite para o dia, foi um crescimento gradativo e constante”, diz Cordoval.
“Nesse processo tem o envolvimento de técnicos de associações comunitárias, de prefeituras e de voluntários, que também foram capacitados e se envolveram, com paixão e fé, com as famílias, para transferir o conhecimento e acompanhar a evolução e os resultados. “Os técnicos também absorveram a sabedoria sertaneja por meio da convivência e dos causos contados pelas famílias”, conta Cordoval.
Segundo ele os causos foram sendo armazenados, nesses 29 anos, em relatórios, em postagem nas redes sociais e no blog do Projeto Barraginhas. “O que nós fizemos agora, nestes dois últimos álbuns, foi buscar os relatos e valorizar a importância destes registros. O blog facilita a pesquisa e se tornou um dos pilares do Projeto Barraginhas”.
Causos
Para acessar os dois álbuns de causos interessantes e conhecer os causos completos, clique nos links disponibilizados no final desta notícia. Lá estão histórias como as do senhor Antônio Pereira, com o paiol cheio; a do padre João, do estado de Piauí; e a dos tijolos do senhor Francisco, de Minas Novas-MG.
O senhor Antônio Pereira é da Comunidade do Berto, que fica na Serra do Cipó, município de Jaboticatubas, em Minas Gerais. Ele tem 85 anos, nasceu e cresceu na comunidade. Segundo ele, o paiol cheio significa o dever cumprido e a fartura no ano. Em 2021, durante a pandemia, ele relatou a Cordoval a felicidade de ter o paiol cheio. Em sua fazenda há oito Barraginhas.
“No paiol de milho a gente confia, se eu tenho um paiol de milho e um mandiocal, eu não tenho medo da fome, porque eu tenho alimento de vários tipos do milho e da mandioca. Depois que o milho está no paiol, a gente começa a pensar na fartura que a gente tem, e que não devemos comer sozinhos. A gente convida os outros pra participar com a gente. Às vezes é um que não tem, a gente arruma um pouco pra ele, tudo com amor. É assim que é a felicidade ter um paiol de milho cheio. Quando tou preparando a terra, e vou plantar, eu peço a Deus abençoar a minha terra, aqui que eu vou plantar, e adubar pra mim, porque eu não tenho condições de adubar não. Eu planto é assim, para ter a fartura em casa e para dar de comer a mais alguém”.
Na foto, Luciano destaca a alegria do senhor Antônio Pereira, carregando e guardando seu último balaio de milho, no início de junho de 2021. “Ano de pouca chuva, dever cumprido. Mesmo com o megaveranico de janeiro, ele conseguiu encher seu paiol, e, segundo ele, está garantida a fartura do resto do ano!”, diz Cordoval.
Oeiras-PI
Já em Oeiras, no Piauí, Cordoval conheceu o padre João, uma pessoa que já era uma referência para os agricultores locais. “Ao conhecer as Barraginhas, eles se encantaram com a tecnologia e hoje o padre é mais um clone do projeto, liderando esta vasta região do estado do Piauí”, disse Cordoval, acrescentando que pôde conhecer de perto os resultados maravilhosos que afloraram em Oeiras, onde foram construídas 300 barraginhas.
Para o blog Barraginhas, o padre falou que ficou surpreso quando soube que a Barraginha ficava pronta em duas horas. “Quando me falaram de Barraginhas em até duas horas, eu pensava comigo: eu faço barragens em 100 horas, 200 horas. Eu achava pouco; eu não entendia então como fazer em duas horas. E quando começamos esse trabalho fazendo as primeiras é que entendi que plantar água valia a pena”.
Padre João levou Cordoval para conhecer a propriedade do senhor Manuel. “Antes dele ter as Barraginhas, nos meus contatos com senhor Manuel, ele dizia que sua roça era seca, sem vida. Mas depois ele disse: eu nunca entro na minha roça sem ter o que trazer para casa, sempre tenho o que trazer, uma abóbora, uma melancia, um pouco de feijão verde, sempre tenho algo para trazer para dentro de casa. A Barraginha é vida, ela traz vida para a família!”.
Minas Novas-MG
As Barraginhas também contribuíram para uma mudança na vida do senhor Francisco, da Comunidade de Cansanção, localizada em Minas Novas-MG. Cordoval conta que durante muitos anos Francisco precisou parar a produção de tijolos em sua propriedade por causa da falta de água. A alternativa para ele foi trabalhar por 18 anos como cortador de cana, em São Paulo, ficando longe de sua família.
Em 2003, quando o Projeto passou pela comunidade, a propriedade da família foi contemplada com uma Barraginha, e o vizinho acima deles, com duas Barraginhas, que influenciavam na manutenção de água do sítio de Francisco por mais tempo.
“Quando Francisco foi passar o Natal com a família e viu sua Barraginha abarrotada de água, o seu sonho de fazer tijolos renasceu. Assim que assou a primeira fornada, ele conseguiu gerar emprego para três pessoas: ele, a esposa e um filho. Após a venda desta primeira remessa, ele concluiu que não precisava mais voltar para São Paulo, e ficou completamente reintegrado à família. Este é um caso de êxodo rural inverso”, comenta Luciano.
Este causo foi relatado em uma reportagem do Jornal Estado de Minas, em que também foi citado o sucesso da criação de abelhas no Piauí. Nesse estado, as Barraginhas propiciaram o aumento da produção de flores e consequentemente da produção de mel.
Veja outros “causos”
Para conhecer o Blog Barraginhas e os dois álbuns “Reportagens e causos interessantes proporcionados por celebridades das Barraginhas!”, clique nos links abaixo:
1ª Edição: https://projetobarraginhas.blogspot.com/2022/02/reportagens-e-causos-interessantes.html
2ª Edição: https://projetobarraginhas.blogspot.com/2022/03/segunda-edicao-de-causos-interessantes.html
Sistema Barraginhas e Lago de Múltiplo Uso
O Lago de Múltiplo Uso é uma tecnologia social que utiliza lona de plástico comum, geralmente usada na silagem de milho, de 8 metros de largura e 200 micras de espessura, para impermeabilizar pequenos lagos que servirão como reservatórios de águas para irrigação e/ou como criatórios de peixes. Sobre a lona, é colocada uma camada de terra de 25 centímetros para sua fixação no fundo e proteção contra raios solares, peixes e unhas de animais. Mais informações: clique aqui e acesse a página da Barraginhas no Portal da Embrapa . |
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Mercado de defensivos ganha nova opção para o controle da mancha-alvo e da ferrugem

Uma mistura exclusiva, idealizada para ser o melhor produto para primeira aplicação na soja. Assim é o Scudeiro Nortox, que está chegando ao mercado. A Nortox é a maior fabricante nacional de agroquímicos. “Fizemos todas as combinações possíveis entre todos os grupos de fungicidas e chegamos à conclusão de que a mistura de dois triazois foi a melhor opção para o controle da mancha-alvo e da ferrugem sem correr grandes riscos de resistência”, afirma o diretor comercial João Marcos Ferrari. “A Nortox não vende ativos. Ela vende a solução para o agricultor. Dentro desse princípio, nós testamos todas as possíveis combinações para chegar ao melhor produto para a primeira aplicação da soja”, acrescenta Ferrari.
Celio Hiroyuki Fudo, gerente de Desenvolvimento de Produtos, também se mostra empolgado com os resultados. “A combinação dos dois melhores princípios ativos – Protioconazol e Tebuconazol – garantiu controle da ferrugem asiática e mostrou excelente performance no controle de outras doenças da soja. Os vários estudos realizados pelos principais fitopatologistas, assim como os estudos realizados pela nossa equipe, atestaram a eficácia e seletividade do Scudeiro”, destacou ele.
Thiago Polles, Líder de Desenvolvimento de Mercado, destaca que o Scudeiro (Protioconazol + Tebuconazol) é um fungicida sistêmico de amplo espectro de controle, com registro também para as culturas do algodão, milho, trigo, cevada e sorgo, entre outras, dispensando o uso de óleo adjuvante. Algumas das principais doenças de culturas como a soja, algodão, milho e trigo acabam sobrevivendo de um ano para o outro na própria palhada da cultura “hospedeira. Assim, há a necessidade de manejarmos de forma integrada no controle dessas doenças, como a mancha-alvo e ferrugem-asiática, que ganham destaque na cultura da soja devido à severidade proporcionada”, explica Thiago Polles. Ele observa que o Scudeiro tem uma formulação diferenciada. “Desenvolvido em 27 instituições de pesquisa do Brasil e nos Ensaios Cooperativos, o Scudeiro comprovou a eficiência no controle de doenças como mancha-alvo e ferrugem-asiática, assegurando a produtividade e seletivo a cultura da soja”, prossegue Polles.
Maicom Tumiate, gerente de Registro e Desenvolvimento, ressalta que o produto foi priorizado pelo Ministério da Agricultura por ser uma composição (formulação) exclusiva e inédita e também por ter síntese do produto técnico e formulação no Brasil. Por sua vez, Lucas Morais, coordenador de Marketing – Comunicação, afirmou que o lançamento do Scudeiro dá sequência ao novo posicionamento na comunicação da empresa com o mercado. A Nortox, que completa 70 anos em abril de 2024, tinha seus produtos nomeados pelo ativo de maior destaque, juntando-se as iniciais das misturas. “Por ser uma mistura exclusiva e com nome comercial, o Scudeiro Nortox também demanda uma nova estratégia própria de marketing. Isso vale tanto para ele quanto para outras novidades que estão a caminho”, ressalta Lucas Morais.

O Sistema Barraginhas consiste em dotar as propriedades rurais com várias minibacias (miniaçudes) dispersas, de modo que cada uma colha uma determinada enxurrada significativa. Desta forma, as Barraginhas acompanham a distribuição das enxurradas no terreno e colhem a água da chuva onde ela cai, sem deixá-la escorrer e causar danos, como erosões, assoreamentos e carreamento de poluentes, podendo até amenizar enchentes. Ao barrar a água de uma chuva intensa, as 