MP MT
Acepipe
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Queria eu escrever palavras sabidas, que abrissem o apetite, que dessem sede, fizessem estremecer o coração, atravessando os obstruídos canais de passagem. Uma última invenção. Uma última descoberta.
Descobrir o desconhecido não é coisa privativa de grandes heróis e viajantes. Não é coisa superior ou rara de Odisseu ou Marco Polo.
Não há uma pessoa que não seja um descobridor … um andarilho. (Na verdade já vi algumas)
Os eventos choram, dizem os franceses. As coisas, o lanço, o sucedido nos revelam e se deslindam a nós. A pessoa se constitui – descobre-se – sempre com e a partir do outro (que nem é tão outro assim).
Uma forma de entender essa descoberta, penso, não é só no atacado, quero dizer, observando os protagonistas, os grandes feitos, os que todos aplaudem. É possível também pegar no pequeno, nas minúcias. Trabalhar com o “atacado e o varejo” – expressões compreensíveis nessa comercialização que a gente vive, para ser bem claro! (mas não claro demais, Amigo Leitor, não claro demais! Não quero chegar a qualquer porto!)
Liguemo-nos às dores da terra. Não tenhamos medo do sol, da chuva, da vida! Coisas extraordinárias acontecem! Tudo que ainda não tem cerca! Não tenha medo de se inclinar, mesmo que aflito, sobre o resto, sobre algumas ruínas, em um rio que corre o tempo inteiro.
Se quiser pegar minhas palavras não as destrua, porque minha palavra não é tão só essas letras juntadas (uma espécie de pele de imagem) aqui, elas têm caminhos outros que o da mercadoria, que o das publicações, elas são a dor do meu povo e da minha gente, que sabe que vivendo estamos para doer, estamos doendo e que jamais se esquece de amar, depois de perder.
*Emanuel Filartiga é promotor de Justiça em Mato Grosso
Fonte: MP MT
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Justiça indefere pedidos e marca audiência em processo de vereador
Em conformidade com a manifestação do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) na ação penal ajuizada contra o vereador por Cuiabá e policial militar da reserva tenente-coronel Marcos Eduardo Ticiane Paccola, a Justiça não admitiu como assistente de acusação Janaína Maria Santos Cícero de Sá Caldas, indeferiu o pedido da defesa acerca da reprodução simulada dos fatos (reconstituição) e designou audiência de instrução e julgamento para o dia 31 de outubro de 2022, às 14h. A decisão foi proferida na tarde desta segunda-feira (12).
O vereador foi denunciado em julho deste ano por homicídio duplamente qualificado (mediante utilização de recurso que impossibilitou a defesa da vítima e por motivo torpe) praticado contra o policial penal Alexandre Miyagawa de Barros.
Em agosto, o Núcleo de Defesa da Vida do MPMT se manifestou contrário à habilitação como assistente de acusação formulado por Janaína Caldas, na condição de convivente da vítima Alexandre Miyagawa de Barros. Conforme o MPMT, embora Janaína Caldas tenha requerido a habilitação como assistente de acusação na condição de convivente da vítima, não apresentou nenhum documento ou quaisquer outros elementos de convicção que comprovassem o alegado vínculo. O argumento foi acatado pelo juízo da 12ª Vara Criminal de Cuiabá.
A respeito do pedido da defesa do vereador, o MPMT argumentou ser “totalmente desnecessária a reprodução dos fatos, sobretudo porque o crime foi gravado pelas câmeras existentes no local, cujas imagens são claras e demonstram à saciedade toda a dinâmica delituosa”. E acrescentou ser evidente que o “requerimento da defesa tem o único e reprovável intuito de atrasar o andamento processual”, uma vez que não existiria razão para reproduzir um crime filmado.
O Núcleo de Defesa da Vida pediu ainda a designação de audiência de instrução, o que também foi atendido. Conforme a decisão, a audiência inicialmente será presencial, podendo ser realizada por videoconferência caso o MPMT e a defesa manifestem o desejo por isso.
Fonte: MP MT

