RONDONÓPOLIS
Search
Close this search box.

MATO GROSSO

Realidades vividas pelas pessoas em situação de rua são debatidas no Judiciário

Publicados

MATO GROSSO

“Não é possível que se viva por dias na rua sem ficar sujo e sem ficar fedido. Eu duvido que você consiga. A rua se introjeta no ser e, esse ser, por meio do seu corpo, reflete o tipo de sua vida”. Esse foi um dos primeiros desafios lançados pelo professor doutor Juliano Batista dos Santos durante o II Encontro Umanizzare – Justiça e Alteridade, realizado na manhã desta quarta-feira (23 de agosto), na Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT). Ainda durante o bate-papo, outros desafios foram lançados como, por exemplo, encontrar água gratuita na rua e não ser alcançado pela morte social, ou seja, pelo esquecimento.
 
O encontro teve como tema a ‘(In)visibilidade, estereótipo e exclusão vs. Resiliência, Subversão e Caminhar: pessoas em situação de rua – corpos que (r)existem’. Na ocasião, o professor citou que é necessário, urgentemente, evitar que as pessoas cheguem às situações de passagem ou moradia nas ruas e, principalmente, ações para aquelas que já estão nessa condição. “Eu penso que a melhor solução que nós temos para resolver ou, no mínimo, amenizar a questão das pessoas que vivem nas ruas é conseguir aplicar com efetividade as políticas públicas existentes. Conseguir efetividade, identificar as falhas e corrigir essas falhas permite que se aumente a possibilidade dessas pessoas serem reinseridas na sociedade, lembrando que para isso a gente precisa de outras políticas fundamentais como questão de residência e distribuição de renda”.
 
Juliano Batista ainda citou a Resolução 425/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e lembrou que o Judiciário mato-grossense está empenhado e tendo bons resultados. “Ainda assim é indispensável às pessoas que estão em situação de rua perceber que o Judiciário existe para ajudar também. E isso é importante porque muitos moradores ficam desconfiados, pois têm passagem pela polícia ou são ex–detentos. Então, sempre que se fala o termo Judiciário, alguns pensam em coisas ruins. Por tudo isso é necessário desconstruir esse paradigma para que essas pessoas entendam que os magistrados também podem auxiliar e ajudar a melhorar a vida dessas pessoas”, aponta.
 
Conforme o pesquisador, cuja tese de doutorado abordou esse segmento da população, os três principais motivos que levam as pessoas do caminho da casa ao que ele classifica como “rualização” são desemprego, o fracasso escolar e a anomia social (como a perda de um ente querido, por exemplo). Já os motivos que levam as pessoas a permanecerem nas ruas são: fator subjetivo, social e estrutural.
 
Iniciativa da Esmagis-MT – Durante a abertura do II encontro Umanizzare – Justiça e Alteridade, que ocorreu de forma híbrida, a presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargadora Clarice Claudino da Silva, destacou a contribuição para a formação humanística dos juízes e das juízas. “Nós elegemos como uma das principais plataformas de trabalho durante a gestão atual exatamente o cuidado com as pessoas. E passa necessariamente esse cuidado por ampliar o nosso campo de visão, de percepção e, principalmente, de sensibilidade em relação ao outro. E esse tema que a desembargadora Helena Maria elegeu para nos brindar com esses encontros denominados Umanizzare tem uma estreita e íntima ligação com tudo aquilo que nós ansiamos conhecer melhor, por absorver esse conhecimento, experiências”, disse.
 
A diretora geral da Esmagis-MT, desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos, afirma que, ao tomar conhecimento sobre vivências diversas da qual está inserido, o magistrado tem mais subsídios para aplicar o princípio constitucional que orienta a “tratar os desiguais de formas desiguais” e enfatiza ainda que a formação vai ao encontro do que preconiza a Resolução nº 425/2021, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que institui a Política Nacional Judicial de Atenção a Pessoas em Situação de Rua e suas interseccionalidades. “O CNJ estabeleceu as políticas públicas no Poder Judiciário porque quer que o juiz e todos do Poder Judiciário também desenvolvam alguma política pública em que vejam e deem visibilidade a essas pessoas em situação de rua”.
 
Quem entendeu essa mensagem e está disposto a colocar em prática tal orientação em sua atividade jurisdicional é o juiz Luiz Guilherme Carvalho Guimarães, que participou do II Encontro Umanizzare. “É muito importante a gente ter essa visão de quem estuda esse segmento específico porque, muitas vezes, de dentro do fórum a gente não consegue ter essa noção da realidade dessas pessoas. Então, sempre que a gente tem a oportunidade de conversar e trocar essas experiências com quem conhece a fundo a matéria e a vivência dessa população, os motivos que às vezes levam essas pessoas até essa situação temporária de rua, é muito importante para que a gente absorva essas informações e possa aplicar no nosso dia-a-dia da aplicação jurisdicional”, avalia.
 
O vereador por Cuiabá, Sargento Vidal, também participou do evento e reforça a necessidade de se firmar parcerias em prol da população em situação de rua, conforme abordado pelo palestrante. “Quando se trata de políticas públicas voltadas às pessoas em situação de rua, não tem como não envolver o Judiciário. Se fizer sem o Judiciário, praticamente é um projeto natimorto. Então a importância do Poder Judiciário é gigante e o que foi feito em 2021, quando o presidente na época assinou um decreto, dando verbas para que as prefeituras trabalhassem essa situação, ajudou muito. Ninguém faz nada sozinho. Tem que ter parcerias e parcerias com aquelas pessoas que querem ajudar, voluntários de associações, são de extrema importância”.
 
Também participaram do evento o juiz coordenador da Esmagis-MT, Antônio Peleja; o juiz auxiliar da Corregedoria Geral da Justiça, Emerson Luís Pereira Cajango; o promotor de Justiça e diretor-geral da Fundação Escola Superior do Ministério Público de Mato Grosso (FESMP-MT), Wesley Sanchez; o coordenador do curso de mestrado em Educação Profissional do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT), Geison Jader Mello, demais magistrados, servidores do Poder Judiciário e convidados.
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: Tela de computador em que aparece a transmissão do evento via plataforma Teams. Nos dois quadros maiores, aparecem a presidente do TJMT, desembargadora Clarice Claudino e a intérprete de Libras. Foto 2: Professor Juliano Batista dos Santos está em pé, falando ao microfone e gesticulando com o outro braço. Ele é um homem branco, alto, calvo, de cabelo, olhos e barba escuros, usando camisa azul, terno cinza, calça jeans e óculos de grau. No telão, aparece o nome da palestra “(In)visibilidade, Estereótipo e Exclusão vs. Resiliência, Subversão e Caminhar – Pessoas em Situação de rua – Corpos de (R)existem”. Também é possível ver pessoas sentadas observando a aula. Foto 3: Desembargadora e diretora da Esmagis, Helena Maria Bezerra Ramos em plano fechado. Ela é uma senhora branca, de olhos e cabelos escuros, usando chemise com estampa abstrata nas cores azul e branca, colar e brincos de argola dourados e óculos de grau. 
 
Celly Silva/Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  Polícia Civil prende homem condenado por estupro de vulnerável em Alta Floresta
Propaganda

MATO GROSSO

Governo de MT investe mais de R$ 300 milhões em infraestrutura em Rondonópolis

Publicados

em

Por

O Governo de Mato Grosso realiza investimentos que superam R$ 300 milhões em obras de infraestrutura no município de Rondonópolis. São ações que contemplam o asfaltamento de rodovias que ligam a cidade até distritos e comunidades, asfalto novo e recuperação nos distritos industriais, além de uma nova ponte sobre o Rio Vermelho.

Por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), o Governo está finalizando a pavimentação de três rodovias que ligam importantes localidades, que antes não tinham uma via asfaltada para chegar até a sede municipal.

É o caso da MT-383, que liga Rondonópolis, a partir do Parque de Exposições, até a comunidade de Três Pontes e a Vila Naboreiro. A obra está pronta e recebeu um investimento de R$ 46,5 milhões para asfaltar 27,8 quilômetros.

O asfaltamento de 42,3 km da MT-471, que dá acesso ao Assentamento Carimã, também está sendo concluído. É um investimento de R$ 43,3 milhões, que também vai estimular o turismo na região, conhecida por um complexo com cachoeiras, trilhas e balneários.

Leia Também:  Municípios podem iniciar vacinação de reforço em crianças com idade entre 5 e 11 anos

Com um investimento de R$ 38,6 milhões, a obra para asfaltar a estrada que dá acesso à Comunidade do Miau a partir do Praia Clube também está na reta final. São asfaltados 29,12 km, beneficiando também moradores da Gleba Rio Vermelho, que estão no local desde 1990.

As obras do Governo também trazem benefícios dentro da área urbana, com a construção de uma nova ponte sobre o Rio Vermelho e a extensão da Avenida W11. As duas ações representam um investimento de R$ 30,5 milhões, garantindo a quarta ligação entre os dois lados da cidade.

Também foram firmados convênios com a prefeitura de Rondonópolis. Dois deles foram destinados a recuperar e asfaltar ruas dos distritos industriais do município. Um deles garantiu R$ 68,5 milhões, sendo R$ 50 milhões do Estado para o distrito antigo, e outro garantiu R$ 65,3 milhões, sendo R$ 60 milhões da Sinfra-para asfaltar o Distrito Vetorasso, obras já em fase final.

Outros convênios firmados com o municípios garantem a construção da Feira do Jardim Atlântico, aquisição de academias ao ar livre, instalação de 20.684 luminárias do Programa MT Iluminado, entrega de máquinas, revitalização de campos de futebol e praças públicas.

Leia Também:  SES tem nove credenciamentos abertos para contratação de empresas prestadoras de serviços médicos

Fonte: Governo MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RONDONÓPOLIS

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA