RONDONÓPOLIS
Search
Close this search box.

MATO GROSSO

Conscientização do Autismo: o acolhimento à família é fundamental

Publicados

MATO GROSSO

No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, 02 de abril, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, solidário às mais de dois milhões de famílias brasileiras sensibilizadas pelo Transtorno do Espectro Autista (TEA), reuniu uma série de informações e cuidados que podem ser adotados para o acolhimento das famílias.
 
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno que afeta o desenvolvimento neurológico, acarretando prejuízos à comunicação, interação social e comportamento. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o TEA afeta mais de 70 milhões de pessoas no mundo. Mas os números não correspondem à realidade, quando não levam em consideração as pessoas envolvidas na vida de uma pessoa com autismo.
 
O autismo envolve a todos, não apenas a pessoa com TEA. Um olhar cuidadoso, de apoio e respeito às necessidades da família, é essencial para o desenvolvimento da pessoa com autismo. Na maioria das vezes, o isolamento pelo medo do julgamento social e o instinto de proteção sobre o filho acabam provocando traumas, muitas vezes irreversíveis, sobre a própria família.
 
Do bem-estar emocional dos familiares depende o desenvolvimento e o estímulo da criança para a vida, explica Giselle Castilho, psicóloga do Programa Bem Viver, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. “A aceitação do diagnóstico é o primeiro caminho para avançar no cuidado da família e da criança. Infelizmente, os estudos sobre o TEA ainda são muito recentes, e diante do desconhecido, o primeiro impacto das famílias é a negação, depois o medo, a dúvida, a frustração e até mesmo revolta. A negação e o isolar-se na dor, são as maiores barreiras à saúde emocional da família”, destaca.
 
Em 2020, a servidora Jane Selma Barbosa chegou ao limite da exaustão. Com uma rotina intensa de cuidados com o filho, o isolamento e a negligência sobre as próprias necessidades desencadearam a síndrome do pânico. Por seis meses, Jane permaneceu isolada no quarto. A incapacidade de reconhecer seus próprios limites e pedir ajudar comprometeu os cuidados com a sua própria saúde e a saúde do filho.
 
“Fiquei seis meses longe do meu filho. Não tinha forças para cuidar nem mesmo de mim, esgotei. Ser mãe de um autista é estar 24 horas alerta, a exigência emocional e a autocobrança são gigantescas, e se não respeitarmos as nossas emoções, vamos cair numa espiral sem fim e sem condições de cuidar daquele que mais amamos”, frisa.
 
Jane é técnica judiciária do Tribunal de Justiça, presidente da Associação dos Servidores do Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso (Aspojud), mãe do pequeno João Carlos de 7 anos e ativista da causa autista. Pouco antes de João completar 3 anos surgiram os primeiros sintomas do autismo. Ausência de resposta a estímulos, falta de interação, contato visual e interrupção da fala deixaram a família em alerta, e antes mesmo do diagnóstico médico, Jane já havia procurado pela ajuda de um fonoaudiólogo.
 
“Os pais precisam muito acreditar na intuição e aceitar que aquela situação pode sim estar acontecendo. Somente depois de aceitar é que temos condição de falar sobre o assunto, quebrar os tabus e interiorizar. É imprescindível evitarmos comparações com outros casos. Cada criança responde de uma forma e a busca por profissionais especializados em autismo pode reduzir muito as possibilidades de falhas no diagnóstico e o tratamento tardio da doença”, assinala Jane.
 
João tem autismo regressivo, marcado pela alternância entre períodos de desenvolvimento e interação social, e fases de perda da fala e das habilidades sociais sem motivo aparente. Hoje, contrariando a avaliação de muitos profissionais, João está sendo alfabetizado, voltou a interagir e adquiriu independência nas atividades domésticas. Com o auxílio do Poder Judiciário, foi possível garantir o custeio do tratamento pelo plano de saúde. A redução da carga horária de trabalho para acompanhar o filho em atividades de saúde e terapêuticas, também foi concedida a Jane, sem prejuízo aos rendimentos.
 
O diagnóstico tardio do TEA pode acarretar sérias dificuldades no desenvolvimento das crianças, tornando a rotina ainda mais difícil. Os pais precisam estar atentos a comportamentos atípicos como a falta de interação da criança diante de estímulos simples, como a troca de um olhar, um sorriso ou um aceno não correspondido, atrasos no desenvolvimento da fala, ausência de contato visual e outras características são geralmente confundidas com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), ou uma timidez mais acentuada.
 
No caso da servidora Elaine Zorgetti Pereira, secretária-geral da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja), comportamentos atípicos como ausência de resposta a estímulos sensoriais e crises de intolerância sem razão aparente, deixaram a família bastante assustada. O diagnóstico do seu filho Gabriel, de 9 anos, foi realizado apenas aos 4 anos, após a visita de uma psicoterapeuta à escola.
 
“No começo tivemos muito medo. As crises, as fobias eram constantes e nós não tínhamos noção do que estava acontecendo. O auxílio da escola em nos apresentar uma profissional qualificada foi fundamental para termos um ponto de partida e chegar ao diagnóstico. Com o auxílio de amigos chegamos a outros profissionais especializados no tratamento do autismo e que puderam nos auxiliar no cuidado do Gabriel”, explica Elaine.
 
Estabelecer uma rede de apoio profissional, e entre outros pais, para a troca de experiências pode trazer respostas para medos, angústias e aflições vividas por outras famílias. O acompanhamento especializado no tratamento do autismo, com pediatra, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo, neurologista e psiquiatra, pode auxiliar nas adaptações necessárias à rotina da criança, dando maior segurança e autonomia aos pais.
 
Mudanças bruscas na rotina da criança também devem ser evitadas e quando necessárias devem ser comunicadas à criança com a maior antecedência e naturalidade possível. Até mesmo a retirada ou a introdução de novas pessoas no círculo de convivência devem ser tratadas com cautela. Incentivar a participação da criança nas atividades domésticas, como guardar os brinquedos, arrumar a cama, recolher a roupa suja ou cuidar do animalzinho de estimação pode estimular a interação e a sensação de pertencimento diante de uma rotina estabelecida.
 
O estímulo das funções neurológicas e do aprendizado também deve ser constante, principalmente dentro de casa. Uma criança com TEA necessita em média de 15 a 20 horas semanais de estímulos e atividades de interação para o desenvolvimento cognitivo. Nos graus leve e moderado o autista pode desenvolver respostas sociais extraordinárias e se destacar em áreas, muitas vezes, pouco acessadas pela maioria das pessoas, como medicina, engenharia espacial e nuclear, mercado financeiro, além de talentos para música, artes, cinema, entre outras profissões.
 
O combate ao preconceito e à discriminação depende o futuro dos portadores do espectro autista. Ainda são muitos os episódios de rejeição vividos por crianças e famílias autistas. Com o tempo, o distanciamento dos amigos se torna cada vez mais evidente, assim como o fim da convivência familiar. Acabam-se os convites para festas de aniversário, almoços, passeios em família, e outras interações sociais.
 
O olhar inclusivo da sociedade, o respeito às dores e às lutas de cada família são fundamentais para o acolhimento dos pais, muitas vezes, esgotados dentro de uma rotina sem fim. A conscientização sobre o autismo vai muito além de informações clínicas sobre o tratamento dos casos. Busca, principalmente, alcançar o combate à exclusão social.
 
Direitos dos Autistas – Com a publicação da Lei Berenice Piana (12.764/12) e da Lei Brasileira da Inclusão (13.146/15), todas as pessoas com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), passaram a ser consideradas, para todos os efeitos legais, como pessoas com deficiência. Assim, todos os direitos garantidos a PcDs (pessoas com deficiências), como saúde, educação, mercado de trabalho e benefícios assegurados pela Previdência Social, também foram estendidos para pessoas autistas. A legislação é federal, e deve ser respeitada em todo território brasileiro, por estados e municípios.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: Psicóloga Gissele está sentada, ao lado está tela do computador ligado. Ela é loira, cabelos na altura dos ombros e usa óculos de grau. Segunda Imagem: Jane com o filho João. Eles estão, cada um, sentados em bonecos grandes, como estivessem montado à cavalo. Terceira imagem: Elaine Zorgetti ao lado do Filho Gabriel. Eles estão sentados, sorriem para foto.
 
Naiara Martins
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  Polícia Civil cumpre mandados judiciais e prende cinco pessoas ligadas à organização criminosa em Sorriso
Propaganda

MATO GROSSO

Governo de MT investe mais de R$ 300 milhões em infraestrutura em Rondonópolis

Publicados

em

Por

O Governo de Mato Grosso realiza investimentos que superam R$ 300 milhões em obras de infraestrutura no município de Rondonópolis. São ações que contemplam o asfaltamento de rodovias que ligam a cidade até distritos e comunidades, asfalto novo e recuperação nos distritos industriais, além de uma nova ponte sobre o Rio Vermelho.

Por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), o Governo está finalizando a pavimentação de três rodovias que ligam importantes localidades, que antes não tinham uma via asfaltada para chegar até a sede municipal.

É o caso da MT-383, que liga Rondonópolis, a partir do Parque de Exposições, até a comunidade de Três Pontes e a Vila Naboreiro. A obra está pronta e recebeu um investimento de R$ 46,5 milhões para asfaltar 27,8 quilômetros.

O asfaltamento de 42,3 km da MT-471, que dá acesso ao Assentamento Carimã, também está sendo concluído. É um investimento de R$ 43,3 milhões, que também vai estimular o turismo na região, conhecida por um complexo com cachoeiras, trilhas e balneários.

Leia Também:  "Ações como essa é que fazem a diferença na vida dos que mais precisam", afirma prefeita sobre o SER Família Capacita

Com um investimento de R$ 38,6 milhões, a obra para asfaltar a estrada que dá acesso à Comunidade do Miau a partir do Praia Clube também está na reta final. São asfaltados 29,12 km, beneficiando também moradores da Gleba Rio Vermelho, que estão no local desde 1990.

As obras do Governo também trazem benefícios dentro da área urbana, com a construção de uma nova ponte sobre o Rio Vermelho e a extensão da Avenida W11. As duas ações representam um investimento de R$ 30,5 milhões, garantindo a quarta ligação entre os dois lados da cidade.

Também foram firmados convênios com a prefeitura de Rondonópolis. Dois deles foram destinados a recuperar e asfaltar ruas dos distritos industriais do município. Um deles garantiu R$ 68,5 milhões, sendo R$ 50 milhões do Estado para o distrito antigo, e outro garantiu R$ 65,3 milhões, sendo R$ 60 milhões da Sinfra-para asfaltar o Distrito Vetorasso, obras já em fase final.

Outros convênios firmados com o municípios garantem a construção da Feira do Jardim Atlântico, aquisição de academias ao ar livre, instalação de 20.684 luminárias do Programa MT Iluminado, entrega de máquinas, revitalização de campos de futebol e praças públicas.

Leia Também:  Sefaz conclui primeiro módulo do curso sobre licitações e contratos

Fonte: Governo MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RONDONÓPOLIS

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA