CONSCIENTIZAÇÃO
Um olhar para a violência contra mulheres no Brasil
ARTIGOS

Professora Jordana Lenhardt
Há 30 anos, no dia 09 de junho de 1994, foi realizada no Brasil a “Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher”, também conhecida como “Convenção de Belém do Pará”.
Essa convenção pode ser considerada um marco nacional e internacional na luta pelo respeito irrestrito aos direitos humanos em atenção especial às violações causadas pelas violências praticadas contra as mulheres.
Essa convenção foi reconhecida pelo decreto 1.973 de 1° de agosto de 1996 que define, em seu artigo 1 aquilo que deve ser compreendido como violência contra a mulher: “qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada”. Essa definição é complementada no artigo 3 por: “toda mulher tem direito a uma vida livre de violência, tanto na esfera pública como na esfera privada”.
No entanto, observado o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023, verificamos o aumento em números absolutos de homicídios em que as vítimas são mulheres, bem como, de outros crimes e violências que vitimizam as mulheres.
O cenário nacional apresenta aproximadamente 4.000 casos de homicídios de mulheres em 2022, dentro dos quais, aproximadamente 37% foram reconhecidos como feminicídio. Se pensarmos em um cenário estadual, no de Mato Grosso, o cenário é assustador, mais de 50% dos homicídios de mulheres foram reconhecidos como feminicídio.
Se os dados até aqui já se revelam assustadores a você leitor(a), saiba que em 2022, foram registradas em nosso país mais de 7.000 tentativas de homicídio em que as vítimas eram mulheres, e dessas, mais de 33% foram consideradas tentativas de feminicídio, ou seja, mais de 2500 casos. Se observarmos os números absolutos de casos de lesão corporal dolosa, por exemplo, ou, da conhecida por todos e todas como violência doméstica, os números também, em curva de crescimento, alcançam exorbitantes mais de 245.000 ocorrências somente no ano de 2022. Acreditem, nesse mesmo ano, foram distribuídas mais de 520.000 medidas protetivas de urgência e quase de 900.000 ligações registradas no telefone do 190 tinham como natureza a violência doméstica.
Para agravar o que foi apresentado até aqui, destacamos que em 2022 as ameaças às mulheres superam 600.000 registros, a perseguição (stalking) e a violência psicológica tendo por vítimas mulheres no Brasil somam mais de 80.000 casos.
A realidade é tão dura, que o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023 traz estampado nas primeiras linhas de sua página 136 a seguinte frase: “o crescimento de todas as formas de violência contra a mulher em 2022.”
Mas é importante refletirmos além dos números pois dizer que houve aumento no número de feminicídios em 2022 significa dizer que quase 1.500 mulheres foram mortas nesse ano simplesmente por serem mulheres.
O aumento das agressões em contexto de violência doméstica, também fala sobre a segurança de nossos lares. Em nosso país, a cada dia de 2022 mais de 670 mulheres denunciaram episódios de violência doméstica. E o que dizer dos acionamentos ao 190 que chegaram muito perto de 900.000 ligações dessa natureza?
Eles revelam uma média assustadora de 102 ligações por minuto. Sem que tenhamos mencionado, ainda, a explosão dos casos de violência sexual no Brasil nesse ano, com os mais de 18.000 casos de estupro e os nauseantes quase 57.000 casos de estupro de vulnerável.
Caro(a) leitor(a), o que esses dados e números trazem são vidas e mais vidas de mulheres e meninas afetadas ou ceifadas. Mas, o questionamento que aqui se faz está em: Se em 1996 estabelecemos e trabalhamos em formas de enfrentamento, punição e erradicação dessa violência, por que 30 anos depois, observamos crescimento significativo em todas as modalidades criminais de violência contra mulheres? São centenas de milhares de mulheres marcadas pela violência em todo nosso país, necessitando de políticas públicas de proteção e acolhimento realmente capazes de mudar esse cenário desolador e de nos garantir um futuro mais seguro.
Por: Professora Jordana Lenhardt
ARTIGOS
Ferramentas Digitais na Educação: Integrando Teoria e Prática por Meio de WebTV

George Ribeiro
O desenvolvimento humano, efeito da intervenção educacional, depende da capacidade de educadoras e educadores apresentarem ferramentas diversas que integram a teoria assimilada à prática resultante.
A Educação é decisão, experiência, transformações, autonomia, liberdade, identidade e humanidade, irrestrita no entendimento de que a resposta não é sobre a educação, é sobre ela e sobre nós, porque é por meio dela que nos vemos e vemos o outro, que nós nos amadurecemos.
A partir da minha experiência em plataforma digital de WebTV, em que eu apresentava o programa Prosa & Poesia, no Mato Grosso News, eu pude me inspirar a ter como objetivo de pesquisa de dissertação o papel das plataformas digitais como ferramenta educacional na escola pública.
Sob a perspectiva de que as relações dialógicas pensadas por Bakhtin transcendem os espaços confinados das instituições educacionais, inclusive as limitações temporais, a utilização das atuais e cada vez mais acessíveis ferramentas de mídias digitais são promissoras no que tange a preservação histórico-cultural, registro do saber literário e o exercício da exposição para acessibilidade, difusão e elemento motivador do aprofundamento à pesquisa.
As crianças são “potencialmente teóricas”, diria Bell Hooks – a negra insurgente – quando questionadas e provocadas. Esses saberes oriundos de uma pedagogia progressiva, efeito de um diálogo lúcido, quando sistematizados, são ricos elementos integradores de conhecimento. Dessa forma, essas vozes podem ser captadas independentemente do tempo, incorporadas ao meio e servindo de subsídio para a análise da vivência educacional e cultural, não só pelo prisma do educador como também do estudante e a sua comunidade que se relaciona com o material divulgado.
A apresentação de trabalho sempre foi um recurso pedagógico para o desenvolvimento das habilidades do estudante, na representação, o seu lugar de fala, respeitando seus saberes intrínsecos, aglutinados aos novos saberes e à oportunidade da exposição mais ampla para avaliação do conhecimento e a sua partilha.
Quando se faz o exercício de expor o que foi lido, estudado, que já é entendido como efetivo recurso de sala de aula, a percepção sensorial é aumentada e também a responsabilidade informacional. Cogita-se que a dimensão ganhe status maior na proposta em que a interação seja feita com o registro e a exposição, por exemplo, numa programação de WebTV, como eu proponho na análise dissertativa.
*George Ribeiro é rondonopolitano, professor da rede pública de ensino, mestrando em Educação PPGEdu | UFR, membro da Academia Rondonopolitana de Letras – ARL, cadeira nº 9. Redes Sociais: @georgeribeiroo.

