AGRONEGÓCIO
Produtores do nordeste do Pará buscam ampliar a produção de açaí
AGRONEGÓCIO
Nas margens do Rio Acará, localizado na região Nordeste Paraense, o manejo do açaí de várzea é uma das principais atividades da agricultura familiar da região. Mas é a expansão dessa cultura para a terra firme que vem despertando o interesse dos agricultores. Um deles é Benedito da Silva, que além de cultivar a mandioca e manejar o açaí nativo, vai ampliar a produção trazendo a palmeira para dentro da propriedade. “Eu ainda não planto o açaí em terra firme, mas vou iniciar ainda este ano” afirmou.
O agricultor foi um dos participantes do curso “Manejo da cultura do açaí em terra firme”, realizado pela Embrapa Amazônia Oriental, no dia 31/05, no município do Acará, região Nordeste do Pará. De acordo com engenheira agrônoma Mazillene Borges, analista da Embrapa Amazônia Oriental, o município está entre os maiores compradores de sementes e mudas da BRS Pai d’Égua, cultivar de açaizeiro para terra firme lançada pela Embrapa em 2019.
Em torno de 45 agricultores familiares participaram do treinamento, que abordou as variedades de açaí para terra firme desenvolvidas pela pesquisa, as etapas de implantação dosa plantios, preparo de mudas, manejo, adubação, irrigação, polinização do açaizeiro, manejo de polinizadores, colheita e beneficiamento do produto. “Temos uma demanda muito grande por informações sobre a cultura do açaí, que está em franca expansão”, afirma a analista.
Umas das inovações promovidas no treinamento foi a entrega de cartões digitais com informações técnicas e orientações aos agricultores participantes. “O pen card pode ser conectado ao celular e o agricultor tem à sua disposição vídeos e materiais didáticos sobre todas as etapas do manejo do açaí em terra firme em linguagem acessível e sem a necessidade de acesso à internet”, anuncia Mazillene Borges.
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O curso “Manejo da cultura do açaí em terra firme”, no município do Acará, em 31/05, é o segundo treinamento presencial realizado este ano pela Embrapa no âmbito do projeto “Bioeconomia e Sociobiodivesidade de cadeias produtivas de importância na agricultura familiar com ênfase nos Biomas Cerrado e Amazônia”. O projeto é desenvolvido com recursos do programa Bioeconomia Brasil – Sociobiodiversidade, por meio de parceria entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Embrapa. O objetivo geral do programa é fortalecer as cadeias produtivas do açaí, cupuaçu, castanha do Brasil, piaçava, mandioca, meliponicultura, baunilhas brasileiras e sistemas agroflorestais |
Cadeia produtiva
Cerca de 80% da população do Acará vive na zona rural, de acordo com a engenheira agrônoma Helenice César, coordenadora do escritório regional da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do estado do Pará (Emater – Pará). “A cadeia produtiva do açaí é uma das principais atividades da região, seguida pela mandioca, pimenta-do-reino, cacau e dendê”, conta a extensionista.
Ela relata que com a valorização do açaí no mercado, a palmeira está subindo das áreas alagadas nas margens do rio Acará para a terra firme. “O acesso a informação e tecnologias para o preparo da área, para o plantio e adubação é fundamental aos agricultores e o curso ofertado pela Embrapa é uma excelente oportunidade para formar multiplicadores e fazer a informação chegar em todo o município”, afirma.
O trabalho de monitoramento da adoção da BRS Pai d’Égua mostra a ampliação dessa tecnologia no Brasil. A Embrapa estima que, em menos de três anos desde o seu lançamento em 2019, a BRS Pai d’Égua está presente em 9.964 hectares no país. Os estados que lideram o ranking da aquisição de sementes e mudas dessa variedade são Pará, Amazonas, Maranhão e Bahia.
Demanda de mercado
O interesse do mercado, principalmente o interno, é um dos principais fatores para expansão do cultivo do açaí em terra firme, segundo o pesquisador João Tomé de Farias Neto, da Embrapa Amazônia Oriental. Ele estima que o crescimento anual da demanda de mercado por esse fruto está em torno de 15%, já o crescimento da produção é de 5% ao ano. “Então existe uma lacuna importante para esse crescimento e a produção, principalmente na entressafra, é uma oportunidade muito interessante aos agricultores”, afirma.
Ele ressalta ainda que com o manejo adequado, adubação e irrigação é possível superar grande parte da sazonalidade na produção da palmeira e assim tornar a atividade mais rentável ao produtor. “A produção na entressafra é para atender diretamente o mercado interno. O Pará produz 1,5 milhão de toneladas ao ano, sendo que 20% é consumido dentro da própria propriedade, 85% é no mercado local e 5% vai para outros estados e países”, explica o especialista.
Manejo e polinização do açaizeiro
O agricultor Anry Nagase, do município do Acará, tem quatro hectares de plantio em terra firme de açaí e aponta que a adubação está entre os principais desafios do cultivo. “Como aqui chove bastante, ainda não senti a necessidade de irrigar, mas minha produção está insuficiente”, afirma. O pesquisador João Tomé explica que na fase produtiva, o açaizeiro extrai mais potássio do solo, por isso é preciso intensificar a oferta desse nutriente à planta.
A polinização do açaizeiro também despertou o interesse do agricultor. O tema foi abordado pela pesquisadora Márcia Maués, da Embrapa Amazônia Oriental. Ela explica que o açaizeiro tem uma grande diversidade de polinizadores, mas as abelhas nativas são as mais abundantes e frequentes nas flores dessa palmeira. “Muitas dessas abelhas não podem ser manejadas, então é fundamental manter ou restaurar a vegetação nativa próxima aos plantios para que esses insetos tenham abrigo e alimento fora da época de floração do açaí”, recomenda a pesquisadora. Ela acrescenta ainda que conciliar o manejo de abelhas com a manutenção ou restauração da floresta é fundamental para o serviço de polinização.
Na área do Anry Nagase, segundo ele, já não há tanta área de vegetação nativa, então ele aposta na introdução de colmeias no plantio. “Vou iniciar a atividade da meliponicultura para melhorar a produção de frutos na minha área. A intenção é ter o cacho cheio”, afirma.
Já o agricultor Benedito da Silva vai mudar uma prática até pouco tempo recorrente. Ao invés de eliminar os ninhos, vai observar mais a presença das abelhas no açaizal e manter as árvores grandes dentro e nas proximidades da área. “Quando eu encontrava a abelha arapuá, eu derrubava a árvore e queimava o ninho, porque achava que ela só trazia prejuízo. Agora eu já sei que ela é muito importante para o açaizeiro e não vou mais fazer isso”, finaliza.
AGRONEGÓCIO
Mercado de defensivos ganha nova opção para o controle da mancha-alvo e da ferrugem

Uma mistura exclusiva, idealizada para ser o melhor produto para primeira aplicação na soja. Assim é o Scudeiro Nortox, que está chegando ao mercado. A Nortox é a maior fabricante nacional de agroquímicos. “Fizemos todas as combinações possíveis entre todos os grupos de fungicidas e chegamos à conclusão de que a mistura de dois triazois foi a melhor opção para o controle da mancha-alvo e da ferrugem sem correr grandes riscos de resistência”, afirma o diretor comercial João Marcos Ferrari. “A Nortox não vende ativos. Ela vende a solução para o agricultor. Dentro desse princípio, nós testamos todas as possíveis combinações para chegar ao melhor produto para a primeira aplicação da soja”, acrescenta Ferrari.
Celio Hiroyuki Fudo, gerente de Desenvolvimento de Produtos, também se mostra empolgado com os resultados. “A combinação dos dois melhores princípios ativos – Protioconazol e Tebuconazol – garantiu controle da ferrugem asiática e mostrou excelente performance no controle de outras doenças da soja. Os vários estudos realizados pelos principais fitopatologistas, assim como os estudos realizados pela nossa equipe, atestaram a eficácia e seletividade do Scudeiro”, destacou ele.
Thiago Polles, Líder de Desenvolvimento de Mercado, destaca que o Scudeiro (Protioconazol + Tebuconazol) é um fungicida sistêmico de amplo espectro de controle, com registro também para as culturas do algodão, milho, trigo, cevada e sorgo, entre outras, dispensando o uso de óleo adjuvante. Algumas das principais doenças de culturas como a soja, algodão, milho e trigo acabam sobrevivendo de um ano para o outro na própria palhada da cultura “hospedeira. Assim, há a necessidade de manejarmos de forma integrada no controle dessas doenças, como a mancha-alvo e ferrugem-asiática, que ganham destaque na cultura da soja devido à severidade proporcionada”, explica Thiago Polles. Ele observa que o Scudeiro tem uma formulação diferenciada. “Desenvolvido em 27 instituições de pesquisa do Brasil e nos Ensaios Cooperativos, o Scudeiro comprovou a eficiência no controle de doenças como mancha-alvo e ferrugem-asiática, assegurando a produtividade e seletivo a cultura da soja”, prossegue Polles.
Maicom Tumiate, gerente de Registro e Desenvolvimento, ressalta que o produto foi priorizado pelo Ministério da Agricultura por ser uma composição (formulação) exclusiva e inédita e também por ter síntese do produto técnico e formulação no Brasil. Por sua vez, Lucas Morais, coordenador de Marketing – Comunicação, afirmou que o lançamento do Scudeiro dá sequência ao novo posicionamento na comunicação da empresa com o mercado. A Nortox, que completa 70 anos em abril de 2024, tinha seus produtos nomeados pelo ativo de maior destaque, juntando-se as iniciais das misturas. “Por ser uma mistura exclusiva e com nome comercial, o Scudeiro Nortox também demanda uma nova estratégia própria de marketing. Isso vale tanto para ele quanto para outras novidades que estão a caminho”, ressalta Lucas Morais.
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