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Agricultura de precisão ajuda a produzir vinhos diferenciados em SP

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  • Pesquisadores comprovaram que a variação de atributos do solo e da planta em pequenas áreas de um mesmo vinhedo acarreta características diferentes nas uvas e vinhos produzidos no local.
  • A constatação é resultado de estudo conduzido em vinícola do interior de São Paulo, onde foram aplicados metodologia e equipamentos associados à agricultura de precisão.
  • Os cientistas avaliaram dois anos de produção de uva em sistema de dupla poda.  No ciclo padrão da videira, a colheita das uvas ocorre uma vez ao ano, no verão.
  • Esses procedimentos permitiram a colheita seletiva de uvas ‘Syrah” e a obtenção de vinhos finos de inverno com características distintas.
  • Os resultados podem auxiliar o viticultor na tomada de decisões sobre práticas agrícolas, para obtenção de produtos diferenciados e de interesse, e contribuir para a maior qualidade do vinho nacional.
  • A produção de vinhos finos de inverno tem posicionado os estados da Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e São Paulo como a nova fronteira vitícola do País.

Na rota paulista do vinho, no interior do estado, a mais de 700 metros de altitude, um vinhedo está colhendo os resultados da aplicação da vitivinicultura de precisão. A constatação de pesquisadores brasileiros de que a variação dos atributos do solo e da planta ocorre mesmo em pequenas áreas de um vinhedo permitiu a colheita seletiva de uvas ‘Syrah’ e a obtenção de vinhos finos de inverno com características distintas.

A variabilidade espacial e temporal em pequenos vinhedos foi comprovada em pesquisa realizada pela Embrapa Instrumentação (SP) na vinícola Terras Altas (Ribeirão Preto, SP), em parceria com a Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP), e o Núcleo Tecnológico Epamig Uva e Vinho, em Caldas (MG).

Realizado no modelo on farm research, que permite o estudo direto na propriedade agrícola, durante o ciclo da cultura da videira para vinho, o trabalho avaliou dois anos de produção de uva – 2020 e 2021 – em sistema de dupla poda. Nele, uma poda é realizada em agosto para indução do ciclo vegetativo e outra entre janeiro e março, para indução do ciclo produtivo e colheita de uvas no inverno.

“É um trabalho inédito em nossas condições de produção. E vem complementar a técnica de produção da dupla poda, aprimorada pelos pesquisadores da Epamig”, afirma o diretor da vinícola Terras Altas, o engenheiro agrônomo Ricardo Baldo.

Uvas e vinhos com características diferentes

Nos dois anos, os vinhos ‘Syrah’ de inverno apresentaram algumas características distintas em função das duas zonas de manejo delimitadas, denominadas de Z1 e Z2, e conforme os dois porta-enxertos adotados: ‘Paulsen 1103’ e ‘IAC 572’. 

Em ambos os ciclos de produção de uvas, o número de cachos, massa total por planta e a massa média de cachos, sólidos solúveis, potencial hidrogênico (pH), antocianinas (pigmentos vegetais responsáveis pela cor do vinho) e compostos fenólicos (que conferem adstringência, coloração, sabor e aroma) nas sementes foram maiores em Z2. Os compostos fenólicos nas cascas foram maiores em Z1.

Os vinhos originados do porta-enxerto ‘Paulsen 1103’ apresentaram maior acidez volátil nas duas zonas de manejo em 2020, enquanto o ‘IAC 572’ conferiu aos vinhos valores maiores de pH e teor de antocianinas, e poder antioxidante em Z2.

Já em 2021, os vinhos provenientes da Z1 apresentaram maior teor de álcool e açúcar, maior pH e tonalidade. Os vinhos elaborados a partir das uvas da Z2 apresentaram maior concentração de antocianinas, maior índice de polifenóis totais – substâncias que influenciam o sabor e na cor do vinho e são benéficos para a saúde – e maior intensidade. 

“As informações são estratégicas para a vitivinicultura de precisão e para o manejo de vinhedos, porque a partir delas o viticultor pode tomar decisões quanto à condução diferenciada de práticas agrícolas utilizadas no cultivo de uvas. Uma delas é a colheita seletiva”, diz o pesquisador da Embrapa Luís Henrique Bassoi.

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Segundo ele, a adoção dessa prática pode originar vinhos com características diferentes e de interesse da vinícola. “Os resultados da pesquisa têm impacto direto na qualidade do vinho e podem, sem dúvida, contribuir para o aumento da qualidade do produto nacional”, reforça Baldo.

A pesquisa orientada por Bassoi foi conduzida pela engenheira agrônoma Larissa Godarelli Farinassi (foto à direita), da FCA Unesp, para obtenção do título de doutora em Irrigação e Drenagem. Ela investigou a influência da variabilidade espacial em vinhedo irrigado na qualidade da uva e do vinho ’Syrah’ de inverno.

“Utilizamos os resultados dos estudos em nossos vinhedos, a colheita seletiva de determinadas áreas dos vinhedos já se tornou uma realidade. Os ganhos de qualidade já são percebidos no campo e estarão na taça do nosso consumidor”, indica Baldo. 

Vitivinicultura de precisão

A vitivinicultura de precisão é a adoção de procedimentos e de uso de equipamentos e sensores para a prática da agricultura de precisão (AP) em sistema de produção de uva para vinho. 

Essa forma de gestão da área de produção de uvas permite caracterizar a variabilidade espacial e temporal do solo e da planta, além de auxiliar na execução de práticas agrícolas de modo diferenciado no vinhedo. No caso específico da pesquisa na vinícola Terras Altas, foi adotado o sistema de dupla poda, fazendo com que a colheita de uvas para vinificação ocorresse durante o inverno.

De acordo com Bassoi, os próximos passos da pesquisa envolvem análises da variabilidade espacial e temporal entre vinhedos.

Hipótese comprovada

Os pesquisadores partiram da hipótese de que a variabilidade de atributos do solo e da videira em um mesmo vinhedo poderia acarretar características diferentes nas uvas e nos vinhos delas originados.

Assim, foi caracterizada a variabilidade espacial do vinhedo irrigado por gotejamento a partir da delimitação de duas zonas de manejo. Em uma delas a avaliação foi referente aos atributos do solo – condutividade elétrica aparente e umidade. Na outra, a avaliação foi voltada à planta – índices de vegetação.

Além disso, os pesquisadores avaliaram se as zonas de manejo se diferenciavam entre si quanto aos atributos químicos e físico-hídricos do solo, bem como em relação aos aspectos produtivos, quantitativos e qualitativos das uvas e à composição dos vinhos, nos ciclos de produção investigados. 

Conforme suspeitavam, a variabilidade espacial e temporal do vinhedo pertencente à vinícola Terras Altas, constatada em duas zonas de manejo, ocorreu mesmo em pequenas áreas da unidade de produção.

Colheitas mais seletivas

Farinassi explicou que as zonas de manejo também possibilitaram a avaliação de diferenças quanto aos atributos físicos-hídricos do solo. “Os valores de umidade do solo, em decorrência das irrigações realizadas e chuvas ocorridas, foram maiores em Z2 nas profundidades de 0,4 até 1,0 metro. A diferença observada entre as zonas de manejo 1 e 2 aumentou em profundidade em ambos os ciclos de produção”, confirma a pesquisadora.

Para Ricardo Baldo, o projeto desenvolvido em parceria com a Embrapa é muito importante, considerando que o foco de produção da empresa é voltado totalmente para a qualidade do vinho.

“Conhecer a fundo as características de cada vinhedo e delinear as áreas de melhor produção em relação à qualidade do fruto nos faz trabalhar com colheitas mais seletivas privilegiando o tipo de uva mais adequado para cada perfil de vinho a ser produzido”, observa o diretor.

Outra vinícola na qual a pesquisa também é realizada é a Casa Verrone (Itobi, SP). De acordo com o seu diretor-proprietário, Márcio Vedovato Verrone, o estudo trouxe informações que vão apoiar decisões futuras e de estudo em outras áreas.

“Neste ano, por exemplo, foi necessário entrar no vinhedo em que o trabalho de pesquisa está sendo realizado para uma colheita antecipada. Conforme os resultados obtidos pela pesquisa nos anos anteriores, é que tomamos a melhor decisão de qual parte colher primeiro”.

O conhecimento da variabilidade do vinhedo está auxiliando a instalação do sistema de irrigação por gotejamento na vinícola, ao definir os setores do sistema de irrigação, para aplicação de uma lâmina de água variada, caso necessário.

A pesquisa conta também com o apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

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Microvinificação

Com base nos dados das zonas de manejo, as colheitas seletivas de inverno das uvas da ‘Syrah’ foram realizadas em julho de 2020 e em julho de 2021.

As uvas foram encaminhadas para o Núcleo Tecnológico Epamig Uva e Vinho, para a microvinificação – processo de fabricação do vinho em pequena escala – e determinação de parâmetros como pH, acidez total, açúcar, alcalinidade, entre outros. 

Para a coordenadora do Programa Estadual de Pesquisa em Vitivinicultura da Epamig, Renata Vieira da Mota, a vitivinicultura de precisão é uma ferramenta importante nas pesquisas, pois contribui para o conhecimento detalhado do vinhedo e fornece as informações que ajudam a explicar o comportamento fisiológico da planta.

“A vitivinicultura de precisão é essencial quando pensamos na elaboração de vinhos finos de melhor qualidade, pois o conhecimento das características das uvas em cada talhão permite que o enólogo elabore produtos diferenciados a partir da colheita seletiva das uvas, trazendo maior valor agregado ao vinho”, avalia a coordenadora.

Potencial vitícola

De acordo com o zoneamento pedoclimático realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mais de 70% do estado de São Paulo apresenta aptidão edáfica para o cultivo da videira. 

No entanto, conforme o estudo, o potencial vitícola regional é mais proeminente nas estações de outono e inverno, quando as condições climáticas são favoráveis à maturação das uvas. 

Conforme a Associação Nacional de Produtores de Vinho de Inverno (Anprovin), 13 vinícolas adotam a técnica da dupla poda no estado de São Paulo, produzindo vinhos de inverno em uma área de 60 hectares.

Emprego e renda

“O impacto socioeconômico das vinícolas tem sido cada vez maior, sobretudo em razão dos projetos que envolvem o enoturismo. Há exemplos bem-sucedidos de vinícolas que agregaram espaços de visitação e recepção aos turistas, fomentando negócios e gerando empregos”, diz o gerente-executivo da Anprovin, Matheus Cassimiro.

Segundo ele, o cálculo de geração de emprego no campo é de um funcionário por hectare, sem contar os espaços enoturísticos, quando há. “Isso impõe a contratação de uma mão de obra na área de serviços, com treinamento para recepção ao público e até conceitos de hotelaria. Esses espaços atraem renda não só para os próprios locais, mas também para os municípios”, afirma o gerente-executivo.

No Brasil, conforme a Anprovin, o cultivo da videira para a colheita de uvas no inverno ocorre em 267 hectares, o que possibilita a obtenção de 400 mil litros de vinho por ano e de 500 mil garrafas, produzidos por 35 associados presentes em cinco estados brasileiros – Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e São Paulo.

Obs: Esta matéria (autoria nas assinaturas abaixo) contou com a colaboração da Associação Nacional de Produtores de Vinho de Inverno (Anprovin)

Fonte: Embrapa

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Mercado de defensivos ganha nova opção para o controle da mancha-alvo e da ferrugem

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Uma mistura exclusiva, idealizada para ser o melhor produto para primeira aplicação na soja. Assim é o Scudeiro Nortox, que está chegando ao mercado. A Nortox é a maior fabricante nacional de agroquímicos. “Fizemos todas as combinações possíveis entre todos os grupos de fungicidas e chegamos à conclusão de que a mistura de dois triazois foi a melhor opção para o controle da mancha-alvo e da ferrugem sem correr grandes riscos de resistência”, afirma o diretor comercial João Marcos Ferrari. “A Nortox não vende ativos. Ela vende a solução para o agricultor. Dentro desse princípio, nós testamos todas as possíveis combinações para chegar ao melhor produto para a primeira aplicação da soja”, acrescenta Ferrari.

Celio Hiroyuki Fudo, gerente de Desenvolvimento de Produtos, também se mostra empolgado com os resultados. “A combinação dos dois melhores princípios ativos – Protioconazol e Tebuconazol – garantiu controle da ferrugem asiática e mostrou excelente performance no controle de outras doenças da soja. Os vários estudos realizados pelos principais fitopatologistas, assim como os estudos realizados pela nossa equipe, atestaram a eficácia e seletividade do Scudeiro”, destacou ele.

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Thiago Polles, Líder de Desenvolvimento de Mercado, destaca que o Scudeiro (Protioconazol + Tebuconazol) é um fungicida sistêmico de amplo espectro de controle, com registro também para as culturas do algodão, milho, trigo, cevada e sorgo, entre outras, dispensando o uso de óleo adjuvante. Algumas das principais doenças de culturas como a soja, algodão, milho e trigo acabam sobrevivendo de um ano para o outro na própria palhada da cultura “hospedeira. Assim, há a necessidade de manejarmos de forma integrada no controle dessas doenças, como a mancha-alvo e ferrugem-asiática, que ganham destaque na cultura da soja devido à severidade proporcionada”, explica Thiago Polles. Ele observa que o Scudeiro tem uma formulação diferenciada. “Desenvolvido em 27 instituições de pesquisa do Brasil e nos Ensaios Cooperativos, o Scudeiro comprovou a eficiência no controle de doenças como mancha-alvo e ferrugem-asiática, assegurando a produtividade e seletivo a cultura da soja”, prossegue Polles.

Maicom Tumiate, gerente de Registro e Desenvolvimento, ressalta que o produto foi priorizado pelo Ministério da Agricultura por ser uma composição (formulação) exclusiva e inédita e também por ter síntese do produto técnico e formulação no Brasil. Por sua vez, Lucas Morais, coordenador de Marketing – Comunicação, afirmou que o lançamento do Scudeiro dá sequência ao novo posicionamento na comunicação da empresa com o mercado. A Nortox, que completa 70 anos em abril de 2024, tinha seus produtos nomeados pelo ativo de maior destaque, juntando-se as iniciais das misturas. “Por ser uma mistura exclusiva e com nome comercial, o Scudeiro Nortox também demanda uma nova estratégia própria de marketing. Isso vale tanto para ele quanto para outras novidades que estão a caminho”, ressalta Lucas Morais.

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